Xana Sousa . Artista Plástica

Florales

Casa-Museu Medeiros e Almeida

« SPECTRUM tem origem no grego spek (ver), de onde derivam diversas expressões como espectáculo, espelho, especular, espectro, espião, etc. SPECTRUM remete-nos tanto para dimensões da visão como da aparência especular do que aparece. Ver e aparência são os limites em que funciona a imagem exterior.Esta é a imagem que nos interessa, aquela que se dispõe a partir de um estímulo exterior, portanto de uma presença, para se oferecer ao olhar enquanto aparência. Entre a presença e a aparência, a imagem tem uma autonomia que perturba toda a focalização do Ser. Pode-se dizer que a imagem sempre perturbou o lugar da ontologia tradicional, a estabilidade e localização do Ser. Conjugada na ilusão do parecer ela vive num jogo duplo de que não sai, necessário mesmo para ela ser o que é.

A imagem oferece-se na disrupção do material que a constitui. Neste jogo oferecido à percepção, em que a imagem aparente ser o que não é, constituiu-se a recusa platónica e neo-platónica (sobretudo Plotino) da imagem, culpada nos suportes tradicionais de ser duplamente matéria sensível e manifestação de uma ilusão que produz um logro ontológico. Entre o ser do suporte e o parecer da imagem produziu-se tanto o medo como o fascínio que tem sido a história cultural da imagem. »

― Fernando Rosa Dias, Spectrum - Novos funcionamentos artísticos da imagem, 2012

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Florales 3 - Grafite, lápis de cor, cera de abelha e cianotipia s/ tecido - 400 x 120 cm/cada - 2012
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Arquivo - Diário Gráfico, Herbarium e Florales - 2012